Presente de Natal antecipado - Por Márcio Costa

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Por Márcio costa - Jornalista 

No último fim de semana voltei minha atenção para a cidade de Pau dos Ferros, onde reuni amigos para comemorar meus 15 anos na atividade de jornalista. A festa, que tinha como principal atração o cantor Peninha, mobilizou amigos e companheiros de trabalho na madrugada do último sábado. Mas foi no domingo, após a correria da festa, que me deparei com a grande lição deste ano. Bem distante da festa, ocorrida no Reencontro Casa Show, fui a São Miguel para efetuar um pagamento e no retorno, poucos minutos após a cidade de Encanto, um carro situado à nossa frente avançou à contramão e colidiu com uma moto. Meu pré-cunhado Artur Lima parou de imediato e percebeu que havia uma criança em baixo do carro. Corremos ao local. O veículo estava preso a motocicleta. O motorista embriagado tentava retirar o carro para fugir. Artur entrou no carro, conseguiu desligá-lo e retirar a chave. O motorista adormeceu em meio aos gritos de terror e passamos a tentar ajudar os passageiros da motocicleta, uma mulher, um rapaz e uma criança. A mulher gritava desesperada que não sentia as pernas. Se lamentava que não iria mais andar. Tentei empurrar o carro, mas vi que existia um impedimento. Entrei no veículo, liberei a marcha e neste instante consegui empurrar o carro pra trás. Neste momento, vi um garotinho de dois, três anos no máximo, sair de baixo do carro e se arrastar em busca da mãe que gritava de dor. O garotinho que estava com a perna quebrada agia como se estivesse protegendo a mãe num instinto inverso que só a natureza justifica. Pedi a um motociclista que fosse à cidade acionar a polícia e ambulância. Pessoas começaram a parar na rodovia, alguns desesperados, eram familiares que moravam em casas ao lado da pista. O avô do menino o colocou nos braços, a perna estava visivelmente quebrada. O levaram ao hospital. Não sei quanto tempo passou, mas lembrei do motorista que havia adormecido no volante. Fui até a porta, uma mulher de capacete na mão falava que conhecia o motorista, e que este era seu primo. A mulher em tom de nervosismo perguntava porque ele tinha feito aquilo. Com muita dificuldade o motorista conseguiu deixar o veículo olhou para a mulher no chão e falou. "Agora vão ter que provar quem está  bêbado, eu ou ela". Em meio a gritos de desespero, ninguém percebeu que ele era o motorista. Algumas pessoas tentavam identificá-lo em tom de violência e revolta. A polícia chegou, e ele foi detido. Neste momento uma ambulância chegou ao local. Eu já não ouvia mais nada. Anestesiado, e sem ter o que fazer naquele local, fui até o carro, onde sentei. A única coisa que veio à cabeça foi buscar uma explicação para o que tinha acontecido. Trabalhei três meses num projeto que no fim me deu a missão de ajudar a salvar três vidas. Nunca vou esquecer a imagem daquela criança rastejando até a mãe, e mesmo com a perna quebrada tentar protegê-la. As vítimas foram identificadas, e tão logo possa, voltarei para rever aquela mulher e principalmente a criança. Eles, sem dúvidas, são o melhor presente de natal que já ganhei na vida. E veio com um mês de antecedência. Talvez este seja o sentido mais clássico desta data.
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